A Propaganda na década de 20
- mariacarvalho571
- 9 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de nov. de 2025
Por: Háisali Lourenço e Letícia Zati
Publicidade e Propaganda Mundial e no Brasil (1914-1920)
O período entre 1914 e 1920 foi um divisor de águas para a publicidade e propaganda em escala global e, consequentemente, no Brasil. Marcado pela eclosão e desfecho da Primeira Guerra Mundial, esses anos testemunharam uma transformação radical nas estratégias de comunicação, impulsionadas pela necessidade de mobilização em massa e pela emergência de novas tecnologias e abordagens.
A Publicidade e a Grande Guerra (1914-1918)
A Primeira Guerra Mundial, que se estendeu de 1914 a 1918, foi um catalisador sem precedentes para o desenvolvimento da propaganda moderna. Governos beligerantes em todo o mundo rapidamente perceberam o poder da comunicação em massa para influenciar a opinião pública, manter a moral da população e das tropas, justificar o conflito, recrutar soldados e promover o racionamento de recursos..
Propaganda Mundial

Os cartazes de propaganda foram um dos veículos mais eficazes da época. Eles eram visualmente impactantes e transmitiam mensagens claras e diretas, muitas vezes apelando ao patriotismo, ao dever cívico e ao medo do inimigo. Países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido produziram milhões de cartazes com diferentes propósitos:
Recrutamento: Incentivar jovens a se alistarem nas forças armadas.
Financiamento da Guerra: Promover a compra de bônus de guerra para financiar o esforço bélico.
Racionamento e Produção: Conscientizar a população sobre a importância de economizar alimentos e outros recursos, e de aumentar a produção industrial.
Moral e Unidade: Manter o espírito de luta e a coesão social, demonizando o inimigo e exaltando os va

lores nacionais.
As técnicas de persuasão utilizadas na propaganda de guerra eram sofisticadas para a época, explorando emoções, símbolos nacionais e narrativas simplificadas. A repetição de mensagens e o uso de figuras de autoridade, tornaram-se elementos icônicos. Após o término da guerra, muitas dessas técnicas foram adaptadas e incorporadas pela publicidade comercial, marcando o início de uma nova era para a indústria. O consumo de cigarros, por exemplo, foi impulsionado pelo marketing e tecnologia durante a Primeira Guerra Mundial.
O Cenário Brasileiro (1914-1920)
No Brasil, o período da Primeira Guerra Mundial e seus anos subsequentes também foram de efervescência para a publicidade. A publicidade brasileira, que já vinha se desenvolvendo desde o final do século XIX com anúncios em jornais e revistas, ganhou um novo impulso. A influência da propaganda estrangeira, especialmente a de guerra, começou a se fazer sentir, adaptando-se ao contexto nacional.
Publicidade Comercial no Brasil
Antes da guerra, a publicidade no Brasil era mais rudimentar, com anúncios focados em produtos e serviços básicos, e até mesmo em venda de escravos em períodos anteriores. Com a virada do século, as revistas ilustradas, como a "Revista da Semana" e "O Malho", se tornaram importantes veículos para a publicidade, com anúncios mais elaborados e ilustrados. A chegada da Primeira Guerra Mundial, embora o Brasil não estivesse diretamente envolvido no início, trouxe uma nova perspectiva para a comunicação.
Após 1918, o mercado publicitário brasileiro começou a se profissionalizar. A cidade de São Paulo, por exemplo, já contava com agências de publicidade ativas, como a Eclética, Pettinati e Edanée. Essas agências foram pioneiras na organização e distribuição de anúncios para a mídia impressa. A figura do "Homem-Reclame", como José Lyra, que se destacava pela sua capacidade de persuasão e convencimento, também marcou essa época.

Os anúncios comerciais brasileiros daquele período, embora ainda em desenvolvimento, já apresentavam elementos visuais e textuais mais sofisticados. Empresas como a Bayer já investiam em campanhas com diversas peças e ilustrações de qualidade.
O período entre 1914 e 1920 foi um marco na história da publicidade e propaganda. A Primeira Guerra Mundial, com sua demanda por mobilização em massa, impulsionou o desenvolvimento de técnicas de propaganda que, posteriormente, foram adaptadas e aprimoradas pela publicidade comercial.
Tanto em nível mundial quanto no Brasil, esses anos foram caracterizados por uma crescente profissionalização da área, com o surgimento de agências e a utilização de novos veículos e estratégias de comunicação.
A publicidade deixou de ser uma mera ferramenta de venda para se tornar um poderoso instrumento de influência e persuasão, moldando comportamentos e opiniões em uma escala sem precedentes.





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