Publicidade e propaganda nos anos 1950: entre a revolução da TV e os símbolos de progresso
- mariacarvalho571
- 9 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 10 de nov. de 2025
Por: Cassiano Souza e Pedro Lucas
O advento da televisão chegou junto com os anos 50. Em 1950, Assis Chateaubriand
inaugurou a TV Tupi, em São Paulo, primeira emissora de televisão brasileira e também
da América Latina, marcando uma verdadeira revolução na comunicação nacional. Nos
primeiros tempos, grandes anunciantes eram raros e não existiam produtoras
especializadas em jingles ou filmes publicitários. Entre os primeiros a aparecer na nova
mídia estavam a Casa Clô e as Persianas Colúmbia.

Com a chegada da TV , surgiu também a garota-propaganda, considerada a colaboradorade maior prestígio das emissoras. As campanhas eram apresentadas ao vivo, com apoiode slides, locuções e textos formais — como o exemplo do Eucalol: “Livre-se do ponto negativo da sua personalidade! Remova o amarelo de seus dentes com creme dental
Eucalol”. Na mídia impressa, predominavam anúncios longos e descritivos, como o
do sabonete Palmolive: “Médicos aprovam: com sabonete Palmolive, duas entre três
mulheres podem ter a cútis mais linda em 14 dias”.
Enquanto no Brasil a TV se consolidava a partir do rádio, em outros países ela nascia
ligada ao cinema e ao teatro. Essa diferença de origem moldou linguagens distintas, mas
em todos os lugares a televisão se tornava o meio dominante da publicidade. Nesse
mesmo período, no mundo, a propaganda refletia um contexto de reconstrução após a
Segunda Guerra. Produtos como Petróleo Juvênia prometiam cabelos engomados e
brilhantes, enquanto marcas de cigarro como Hollywood associavam o consumo ao
estilo de vida elegante e aventureiro — algo que contrasta fortemente com a visão
crítica atual.

Não era incomum que a propaganda expressasse valores diretamente ligados ao desenvolvimento industrial e urbano. A DuPont, por exemplo, divulgava o slogan “O
explosivo ajuda a construir um mundo melhor!”, coerente com um Brasil que abria
estradas e cidades em ritmo acelerado. O petróleo, visto como sinônimo de progresso,também ganhou destaque. A Esso, em 1954, anunciava que “qualquer pessoa, emqualquer ocasião, se utiliza sempre de um produto de petróleo”.
A profissionalização da publicidade acompanhava esse crescimento. Em São Paulo, foi fundada em 1951 a Escola Superior de Propaganda, com foco em aplicação prática,responsável p
or formar boa parte da elite publicitária brasileira. No mesmo período, asrevistas tradicionais como Fon-Fon, O Malho e A Carioca entravam em declínio,enquanto surgia a Revista Manchete, que abria espaço para novas oportunidades nomercado editorial.
A urbanização trouxe ainda a expansão do varejo e dos supermercados, que passaram a investir em promoções, crediários e publicidade cada vez mais agressiva. Anúncios
luminosos se espalhavam pela cidade de São Paulo, acompanhando o avanço do
consumo. No fim da década, a indústria automobilística se consolidava como grande
cliente do setor, arrastando consigo anúncios de autopeças e acessórios que enchiam
revistas especializadas.

Algumas marcas que marcaram a época permanecem até hoje, como a Drogasil, que já em 1947 se apresentava como “a maior organização de drogas da América do Sul” e
segue líder em seu segmento. Outras, como Brahma e Antarctica, que disputavam
mercado de cervejas e refrigerantes nos anos 40 e 50, acabariam se unindo décadas
depois para formar a Ambev, uma das maiores multinacionais brasileiras. Há também
casos de marcas que desapareceram, mas deixaram slogans memoráveis, como o
Xarope São João com o irreverente “larga-me! Deixa-me gritar!!!”.
Assim, a publicidade dos anos 1950 no Brasil e no mundo reflete tanto os traços
culturais da época quanto os processos de modernização e urbanização em curso. Foi
um período em que a propaganda começou a se profissionalizar, consolidou a televisão
como meio central e ajudou a criar narrativas de consumo ligadas ao progresso, à
sofisticação e ao estilo de vida.





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